Mensagem:
"Esse é diretamente para o autor do blog. Eu sou natural de Chapecó, morei muito tempo fora daqui e há quatro anos retornei. Concordo em muitas coisas que vc diz, principalmente sobre o atendimento nos estabelecimentos comerciais e a falta de opção de lazer e cultura, mas queria muito te dar um conselho: - Se você não é feliz aqui, se muda. Existem tantas outras cidades legais e com oportunidades que vc pode ir morar! Sabe, existe tanta crítica, porque fazer isso é fácil, agora gostaria de saber, se vc contribui para melhorar alguma coisa ou acha que esse blog é realmente uma contribuição?
gostaria muito de saber se você tem comércio ou é empregado... e assim, quem sabe vc seja o JK para Chapecó. Inicie sua vida na política e daqui alguns anos, vc possa ser prefeito e melhorar tudo isso que reclama da cidade!
Espero que vc publique meu comentário e principalmente aceite minha opinião, diferente do que vi anteriormente. Abraços!"
Resposta:
Antes de tudo, obrigado pela participação.
Eu publico praticamente tudo que recebo, execto quando são coisas extremamente agressivas ou que não vão contribuir em nada para a discussão, o que não é o caso do seu post. Eu discordo de diversas coisas que você escreveu, especialmente da parte que diz que eu deveria aceitar a sua opnião. Mas pensemos, se você não concorda com a minha, será que eu tenho a obrigação de concordar com a sua? O blog, além de um espaço para denúncias, desabafos, ou chame como quiser, é um espaço de discussão. Sendo assim, pessoas concordam e discordam.
Quanto ao conteúdo do que você fala, gostaria de afirmar que sim, eu acredito que o blog é uma forma de mudar as coisas. Por que só a política seria? Será que é o único meio que temos de mudar as coisas? Aí todo mundo teria que ser político? Por exemplo, eu já recebi retorno de donos de estabelecimento dizendo que depois de ver o blog, passaram a atentar para algumas coisas que não era percebidas antes. Um deles, por exemplo, a respeito do cartão de crédito, que ele não possuía em seu estabelecimento mas passou a pensar a respeito depois que viu inúmeros comentários no blog. Pesquisas recentes mostram que a força das mudanças não está mais no macro, mas nos microcosmos, pequenos grupos que estão mudando as coisas localmente. Não dá pra mudar o mundo de uma vez, mas dá pra mudar sua rua, seu bairro e quem sabe alguns aspectos de sua cidade. A internet chegou com uma força absurda e está possibilitando mudanças muito pontuais. Além disso, imagine que meu blog convença 10 pessoas a não ir no estabelecimento X. É, parece pouco, mas são 10 pessoas que não vão mais dar lucro ali se as coisas não mudarem. Jogar toda a carga para a política, ao meu ver, é inocência e um pouco de limitação. Acho que já ficou claro pra todo mundo que apostar somente na política, por enquanto, não funciona aqui.
Você também fala que eu deveria me mudar se não gosto daqui. Eu já penso assim: se todo mundo que não gosta de algo ou de algum lugar fosse embora, o mundo não teria lugares melhores. Sim, porque a coisa é assim: pessoas que estão insatisfeitas ficam e tentar mudar a situação. Recentemente, na Europa, houve o caso da greve dos caminhoneiros, que resolveram protestar em função da alta dos combustíveis. Eles pararam parte da Europa e deu certo. Agora, imagine se esses milhares de caminhoneiros resolvessem simplesmente ir embora porque não estavam gostando. Os preços dos combustíveis estariam em alta e eles teria que recomeçar suas vidas em outros lugares. Não sei, me parece um modo de pensar derrotista, um pouco covarde. Isso também me lembra o lema da ditadura: “Brasil. Ame-o ou deixe-o”. É assim? Não tá gostando, vá embora, não queremos que nada mude por aqui. Não gosto de pensar que muito dessa filosofia ainda anda pela cabeça das pessoas. Me dá medo.
Enfim, posso estar totalmente errado e eu sozinho talvez não esteja mudando muita coisa. Mas se mais 10 pessoas pensarem em outras formas de mobilização, talvez a coisa já comece a ficar mais consistente. E necessarriamente, tais ações não precisam depender da política. Mas isso, é a minha opnião. Você tem todo o direito de discordar.